A lingua mais doce tem os dentes mais afiados.

SOBRE O FILME “A COMPANHIA DOS LOBOS”

“Se existe uma fera nos homens, existe também nas mulheres.”

COMPANY OF WOLVESMergulhe num sonho agitado… cortinas açoitadas pelo vento frio que sopra de florestas inconscientes, um quarto de menina, brinquedos ameaçadores iluminados pela lua cheia, brumas e o som do coração que dorme e respira intranqüilo… Você estará entrando na atmosfera onírica de “A Companhia dos Lobos”, maravilha de filme de Neil Jordan, uma obra-prima do cinema fantástico, Chapeuzinho Vermelho pós-moderno. Seu sono é doloroso e cheio de angústia, licantropia da alma que amadurece e que dói, acossada pelas figuras e pela simbolgia macabra dos contos-de-fada. Neil Jordan, que nos proporcionaria um outro tesouro precioso sobre a psique infantil delirante e transtornada com “Nó na Garganta”, pinta uma obra-de-arte absolutamente bela e poética, com momentos antológicos e de um encantamento desconcertante a subtrair o fôlego. As cenas das mortes da avó e do marido-lobo, por exemplo, antes de inspirarem ojeriza, são carregadas de lirismo e adoçam o olhar com fina poesia de horror insólito.
“A Companhia dos Lobos” mergulha no fantástico para narrar uma fábula sobre o amadurecimento feminino. Inúmeras são as referências ao sexo, à concepção e ao amor. Sapos, serpentes, pequenos bonecos dentro de ovos que eclodem, o vestido branco… Cogumelos gigantes incitam a lembrança de “Alice” e sua saga de auto-conhecimento. Perigosos são os caminhos a percorrer, repletos de lobos, cujos “piores são os peludos por dentro… que quando te mordem, te arrastam para o inferno…”
O diabo pode ter faces glamurosas e refinadas. Em meio à floresta densa, Terence Stamp proporciona a aparição de um coisa-ruim cheio de fleuma e glamour em um Rolls-Royce branco, que chega do nada e volta a lugar nenhum. Em outro momento, um casamento nobre de casta aristocrática afetada, se transforma num banquete de bestas uivantes. A impecável direção de arte afina estreitamente com a sensibilidade sinistra do diretor, que imprime eloqüência cênica e trás luminosidade narrativa a um mundo confinado à escuridão do subconsciente.
À Rosaleen, heroína dessa história, e a todas as heroínas de todas as histórias, o filme termina com uma advertência ao sabor de moral oitocentista:
“Garotas pequenas, é preciso dizer, nunca parem no seu caminho… nunca confiem num estranho, ninguém sabe como pode acabar! Assim como é bela, seja também sábia. Os lobos podem usar qualquer disfarce. E agora, esta é a pura verdade: a língua mais doce tem os dentes mais afiados.” (Charles Perrault)

RETIRADO DE: http://www.fotolog.com/cellus/44168798/

Frases Filme: Dois coelhos.

dois coelhos“A morte cria um sentido pra nossa vida. Mais importante que isso, a morte cria um valor especial para o tempo. Se o nosso tempo nessa terra fosse indeterminado, a própria vida perderia o sentido e muito provavelmente estaríamos com a bunda de fora e com uma lança nas mãos. A morte é o agente mais poderoso da natureza, ela vem para levar o velho e abrir espaço para o novo. O nosso esforço para evitá-la e fazer de nossa curta estadia aqui algo minimamente memorável é inútil. Só existe a vida porque existe a morte.” Continuar lendo

Reflexão: verdade, sonho, delírio.

NÓS PENSAMOS O UNIVERSO PARTINDO DO PONTO DE VISTA DE NOSSAS PERCEPÇÕES, ISSO NOS COLOCA COMO O CENTRO DAS COISAS INFINITAS, MAS QUANDO PERCEBEMOS QUE O UNIVERSO NAO PARTE DE NÓS, MAS NA VERDADE SOMOS APENAS UM ELEMENTO NAO FUNDAMENTAL DESTA CONSTITUIÇÃO, É QUE RETORNAMOS A NÓS MESMOS E PODEMOS COLOCAR UM SENTIDO REAL A NOSSA EXISTÊNCIA! Continuar lendo